Quem somos e em que acreditamos?

Nosso grupo, o GAIA, brotou de minha intensa paixão pela criação de um mundo mais humano para meu filho, Arthur Francisco, para os filhos dele e para todas as gerações futuras, afinal, como diz o título de um livro: "Filhos Brilhantes, (nós, pais e mães) Professores Fascinantes".

Entendo que p/ sermos o berço de futuras gerações preparadas, temos por obrigação nos prepararmos e propagarmos nossas experiências interagindo uns com os outros, independente de sermos pais ou filhos, tios ou sobrinhos, avós ou netos... sejamos sempre IRMÃOS EDUCADORES!!! E esta educação começa dentro de nossos lares, mudando antigos paradigmas, prestando mais atenção ao nosso próximo, ao futuro de nosso planeta, reciclando nosso lixo, reciclando nossas almas.

Muito embora a magnitude das crises espirituais e ambientais que nos deparamos em nosso dia a dia possa exigir métodos ousados e visionários, sei, do fundo do meu coração, que é possível encontrar soluções para os problemas do nosso planeta, começando dentro de nós mesmos, em nosso lar, em nosso ambiente de trabalho, com nossos visinhos, enfim...

Tudo é possível, pois querer é poder!!!

Valeria.

DIREITOS AUTORAIS

Respeite os Direitos Autorais e a Propriedade Intelectual.
A cópia não autorizada implica em penalidades previstas na Lei 9.610/98.

terça-feira, 16 de março de 2010

Ah... Essas Mulheres...


E o automóvel, quem diria, começou pelas mãos femininas. Berta Benz e os filhos foram os responsáveis por mudar a coisa barulhenta, fumacenta, nisto que você tem andado...

Texto: Roberto Nasser
Fotos: Reprodução


Pode parecer curioso o título. Afinal, automóvel e suas complicadas entranhas, porcas, parafusos, molas, travas e, até a famosa e folclórica rebimboca da parafuseta, fazem parte do universo masculino: foram os homens quem os gestaram e pariram. Aí pelo quarto final do Século XIX, houve uma combinação descombinada e, sem se conhecer ou se falar, técnicos, engenheiros e outros curiosos fizeram, a seu modo e em caminhos variados, máquinas para substituir a força humana e dos animais de tração.

Um dos mais conhecidos foi Karl Friedrich Benz. Engenheiro do tempo em que tais profissionais pegavam nas ferramentas, fez coisa de homem: evolução, em vez de revolução. Assim, pegou o que já estava pronto, uma carroça. Removeu os varais que a ligavam ao cavalo como elemento de tração, criou um tosco sistema de direção numa roda dianteira de bicicleta e embaixo aplicou sua criação. A grosso modo, e para quem via e descrevia, era uma torre metálica deitada, onde entrava combustível por um lado e, depois de muitos barulhos, saia movimento pelo meio tocando uma grande roda horizontal a lembrar peça assemelhada das máquinas de costura, e fumaça pelo outro. Andava sem cavalos e sem vapor, como as máquinas de andar daquela época – trens, navios e pequenos trams, bondes urbanos.

Andou, conseguiu pioneira patente a de número 37.435, relatando o funcionamento de um certo Carro a Motor – Patenteado.

Motivo de muito orgulho, pois integrava os sonhos de Benz e o entorno dos problemas trazidos a sua família, mas a polícia de Manhein, Alemanha, proibiu-o de circular. Seu barulho e fumaça incomodavam as pessoas, assustava os animais, fazia os cavalos dispararem e, dizem, provocou crise nervosa em idosa macróbia.
Sem silencioso, ainda por inventar, com grandes folgas entre as partes móveis, lubrificantes primários, marcava sua passagem com barulho e fumaça.
A proibição forçou seu abandono na cocheira da casa dos Benz. Para a população era apenas esquecida notícia de jornal e criação de Benz, engenheiro cujos sonhos na maioria das vezes empurravam a vida ao limite inferior do conforto.

O EMPURRÃO FEMININO: Em 1888 dona Berta Benz era uma pré-matrona aos 39, mãe de 4 filhos, companheira de um perseguidor de sonhos. A condição feminina era muito diferente dos dias atuais, quando as mulheres são o agente mais importante no mercado de automóveis de passeio. Hoje, entre aquisição própria e influencia na compra do veículo familiar, representa uns 70% do mercado.

Pois independentemente do recato inerente às regras sociais e de etiqueta, co-optou seus filhos Eugen, 15, e Richard, 13, e se transformaram nos responsáveis por mudar a coisa esquisita, barulhenta, fumacenta, nisto que você tem andado, nesta ferramenta de deslocamento, de mobilidade, chamado por muitos nomes – automóvel, caminhão, ônibus, trator.

Ato de coragem, retrato da fidelidade feminina à unidade do casamento e propósitos de seu marido, não fosse dona Berta, possivelmente a patente pioneira do carro a motor ficasse esquecida e substituída por algum dos muitos tipos de veículos que se experimentavam àquela época. Então, pelo mundo inteiro, perpassava aura de criatividade, em exercícios de tentativa e erro, na reunião dos conceitos operacionais viabilizadores de motores a vapor e gás, reduzindo-os em volume e peso, aptos a mover um veículo.

Histórias de vencedores sempre são românticas. Mascaram sacrifícios, dificuldades, e a vitória surge como inevitável final feliz. A realidade da invenção do triciclo motorizado passou muito longe disto. Soma as limitações de um órfão de ferroviário, criado pela mãe, dona de pensão, sonhador vendo as nuvens através de uma maquete de carro a vapor. Fez o curso técnico com amplo sacrifício materno. Era hábil, inventivo e, como os engenheiros antigos, não tinha medo de graxa, e não mandava, fazia: fabricou calhas e dobradiças; prensa para tabaco; um pequeno telefone.

Depois, motores a gás. Enfrentou dificuldades, perdeu tudo, incluindo a fábrica, trabalhou num barracão no fundo de casa. Como disse dona Berta, em 1933, aos 84 anos de idade, as dívidas tomaram quase todos haveres familiares, exceto ferramentas de mão e a casa. Mas não levou os sonhos de Karl, sua determinação, ou o apoio doméstico.

Dois comerciantes de material técnico, condoídos com a miséria da competência, e outros credores se associaram a Benz, criando empresa para produção de motores a gás. Que foi, sem trocadilho, a pleno gás, aumentando modelos, potências, vendas, lucros.

Foi quando, paralelamente, e sem precisar cortar itens de sobrevivência para empurrar seu sonho, Benz aplicou-se a desenvolver o veículo – ao contrário de Daimler e da maioria dos criadores da época, preocupados apenas em criar e construir motores.

EXISTE, MAS NÃO PODE: Em outubro de 1885 o carro ficou pronto. Quase uma charrete com motor monocilíndrico; deslocava 900 cm3; produzia 2/3 de hp a 250 rpm; um razoável sistema de ignição – a vela ainda não havia sido criada; era muito pesado em seus 96 kg. O triciclo pesava 300 kg. (um motor com esta cilindrada produz atualmente uns 60 cv, e com este peso, muitíssimo mais).

Pioneiro, merecia elogios do jornal local, vendo longe, ao contrário de cavalos, cavaleiros, meninos, senhoras, se assustavam com o barulho, incomodavam-se com a fumaça. E a polícia proibia o uso – apesar da inexistência de legislação específica sobre veículos a motor.

Benz arquivou o sonho, assumiu a lógica de estar bem de vida como fabricante de motores a gás, longe do tempo da mesa e do cobertor curtos, das provações materiais, das críticas dos sogros. Voltou a dedicar-se integralmente ao negócio básico dos motores a gás – para alegria de seus sócios e do banqueiro local.

NÃO PODE??? A proibição policial podia ser legal, mas não era decisão pétrea, podia ser contornada. Dona Berta pegou Eugen e Richard, dois dos quatro benzinhos, por entender que o sonho do carro “automovimentado” do qual participaram, sofreram fome, frio e reclamações dos pais de Berta, não podia ficar arquivado por conta de protestos de polícia, cavalos e outros animais que não enxergavam o futuro.

Ao nascer de uma manhã do verão de agosto de 1888, tempo de férias, os meninos puxaram o carro para fora. Verificaram os itens que o fazem mover, conhecidos ao acompanhar o desenvolvimento, a construção, as experiências com enguiços e acertos. Empurraram distância de cautela e, ao achar que o barulho do motor não acordaria o sono de Benz e vizinhos, Eugen girou a grande polia horizontal ligada ao volante. O motor pegou. Subiram todos. Eugen, á barra de direção – o volante surgiria uma década após; dona Berta ao lado, Richard espremido. O banquinho, horizontal, era de charrete. Dá para imaginar a performance: 400 kg de veículo, mais uns 150 de tripulação, movidos por dois terços de cavalo de força... Numa regra de três, nos termos de hoje, o motor de carro popular para arrastar um caminhão Scania, carregado.

A VIAGEM: Embicaram para Pforzheim, a 120 km de distância. Estrada de terra, conhecida, até a casa dos pais de Berta. Fosse viagem latina e nos tempos atuais, seria um cala-boca. À época, embora a expressão ainda não tivesse sido inventada, foi efeito-demonstração do funcionamento da “última-maluquice-do-seu-marido-tão-bom-engenheiro-e-tão-desmiolado, coitado.”

A viagem traria resultados nunca dantes imaginados. Da soma das necessidades do veículo com a mão de obra e os produtos disponíveis no pequeno comércio nas cidades ao longo do percurso, surgiriam outras atividades comerciais. Ali começava um novo tempo.

Estrada plana, tempo bom, o carrinho pipoca e polui em barulho e emissões fumacentas campo afora. Após Heildelberg há subidas. Levinho, Richard assume a condução. Berta e Eugen empurram. Equivalem, juntos mais ou menos, à força do motor, 2/3 de hp. Richard acelera. O carrinho galga, penosamente, a subida. Ao final, suados, enegrecidos pela fumaça, sobem no carro. E a descida começa. Durou pouco a alegria ao descobrir o freio subdimensionado, insuficiente para deter o veículo em descidas. E o couro que anteriormente fora cinto, colocado externamente à única polia, como elemento abrasivo para efeito frenante, se queima. E o combustível acaba.

A viagem, percebem, seria o primeiro pré-teste de avaliação... Param em Wiesloch, poucos quilômetros após. Mobilizado, entre o surpreendido com uma carroça sem cavalo, utilizando couro numa polia, um sapateiro refaz o revestimento – seria o precursor dos reparos em freios. Berta vai à farmácia comprar um líquido de limpeza doméstica coincidentemente chamado benzina. Gasolina? Não existia. Comprou o estoque, 3 litros. Nunca imaginara gastar tanto produto de limpeza.

Combustível seria um dos problemas, pois os farmacêuticos não têm estoque grande.

O movimento de carros motorizados exigiria outro direcionamento – todo farmacêutico seria, projetadamente, o dono de posto de re-abastecimento.
Outro item de necessárias melhorias foi o sistema de resfriamento. A cada 20 km era preciso repor água por conta das grandes perdas e da evaporação – e nem sempre havia rios, lagos ou regatos por perto.

A transmissão, como numa bicicleta, por corrente. E, como nas bicicletas, se parte. Os meninos andam até a próxima cidade onde um ferreiro põe a emenda, como nas toscas bicicletas. É o primeiro mecânico de estrada, capaz de improvisar.

Em seguida, a tubulação de combustível entope. Berta sacrifica um alfinete do chapéu e remove um grão incrustado nos caminhos do primário arremedo do posteriormente chamado carburador.

Outro tropeço. O Carro a Motor – Patenteado, para. Dona Berta vai olhar. Os meninos, de costas, ouvem um fru-fru de tecido. Berta acaba de fornecer uma liga para virar elemento elástico para corrigir a quebra da mola do carburador. Surgia a consciência que motorista deve entender do veículo e ser capaz de soluções inventivas.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Belíssimo!!! Como todo relacionamento de carinho e amor...


- Vó?
- Oi?
- Ontem eu vi de novo aquele filme que você gosta.
- Qual, minha querida?
(como se não houvesse muitos filmes que a Vovó amava).
- Aquele daquele homem que é meio bobo e fica contando histórias no ponto de ônibus...
- Ah, sei ... Forrest Gump...
- Isso.
- E você gostou do filme?
- Gostei, mas não entendi uma coisa...
- O que?
- Quando começa o filme, tem uma pena voando, que voa, voa, e cai no colo do Forrest Gump. Ele guarda "ela" no livro e começa a contar a história para um monte de gente.
- Exato.
- Então, no final, ele abre o livro e ela sai voando outra vez. Para que serve essa pena, hein, Vovó?
- Bem, pituquinha, ele explica isso no final. Talvez você não tenha percebido.
- Acho que não.
- Forrest Gump não é uma pessoa igual às outras: ele tem uma inteligência limítrofe. Não fale que ele é meio bobo que isso é muito feio. Ele tem uma inteligência de uma criança de cinco anos, por isso tem dificuldade de entender as coisas como às outras pessoas. Ë um homem grande com a cabeça de uma criança, não é meio bobo ou retardado, tá bom?
- Tá.
- Você quer saber por que a pena começa o filme voando até pousar no colo do Forrest Gump, e depois sai voando de novo, não é?
- Isso.
- Então..., no final do filme, ele conta que na sua vida houve duas pessoas que o influenciaram muito: uma foi a sua mãe, o outro, seu amigo que ele conheceu na guerra do Vietnã, que é o tenente Dan. A mãe ensinou para ele que ter uma deficiência não é desculpa para desistir da vida. Ela se recusou a colocá-lo em uma escola para deficientes, e sempre empurrou o filho para frente, sempre ensinou-o a não se conformar com as suas próprias limitações. Forrest foi para a escola, estudou, teve um problema na coluna que o obrigou a usar aquele aparelho horrível, você se lembra?
- Lembro sim.
- Tem uma cena que a Vovó gosta demais nesse filme, que é aquela em que os meninos valentões correm atrás dele numa caminhonete. Eles querem zoar com ele e até machucá-lo, e a sua amiguinha grita para o menino: Corra, Forrest, corra!!! E ele sai correndo, de aparelho e tudo, a caminhonete atrás dele, os meninos gritando..., à medida que ele corria, o aparelho vai caindo, pedaço por pedaço, e quanto mais ele se livrava do aparelho ortopédico, mais rápido ele conseguia correr, mais ele deslanchava, até entrar correndo em um campo gramado e sumir ao longe, deixando para trás os seus perseguidores...
- Vó?
- Oi?
- Você está chorando?
- Não..., não querida, é que a vovó esqueceu de pingar o colírio.
(falou isso enquanto enxugava furtivamente algumas lágrimas).
- Por que você gosta tanto dessa cena, Vovó?
- Porque Vovó acha essa cena muito emocionante, muito alegórica.
- Alê o que?
(Riu-se, gostosamente).
- Alegórica. Quer dizer que ela tem um significado maior do que está na tela.
- Qual o significado?
- Na vida, a gente fica tentando endireitar tudo, minha querida, e às vezes temos que passar muito, muito medo para podermos nos livrar de nossos aparelhos, de nossas muletas. Forrest descobre que já está pronto, que pode correr como ninguém, como ninguém, e mais longe do que qualquer menino valentão e bobo que se acha grande coisa...
(Olhou para a neta, que a olhava fixamente).
- Desculpe, querida, acho que me empolguei um pouco.
- Vó?
- Oi?
- É para isso que temos medo?
- Acho que sim.
- Temos medo para tirar as muletas?
- E os aparelhos. E ir para frente.
- Legal. Vó?
- Fala.
- E a pena?
- É mesmo, já ía me esquecendo... então, eu falei que a mãe de Forrest Gump o ensinou a nunca sentar sobre seus problemas, a nunca se intimidar com as suas dificuldades. Ela ensinou para ele que, na vida, Deus dá uma série de cartas para a gente jogar o jogo, e temos que aproveitar as nossas cartas do melhor jeito possível.
- E a pena?
- Já vai, já vai... a outra pessoa importante na vida de Forrest Gump é seu amigo, tenente Dan. Juntos, eles foram para a guerra, tiveram um pesqueiro, montaram uma empresa e ficaram muito ricos. E o tenente Dan ensinou que na vida, a gente é como uma peninha levada pelo vento, de um lado para outro, e nunca tem como descobrir para onde vai o sopro de Deus..., nunca a gente sabe para que lado vai a pena.
(Fez um silêncio grave).
- Como assim?
- Quando você crescer, vai perceber como nosso destino é caprichoso, meu bem. Um dia estamos aqui, outro dia estamos lá, como se tivesse um gozador assoprando a vida para lá e para cá, para lá e para cá.
(Fez um movimento com a mão, simulando a pena indo e voltando e a menina acompanhou o movimento com os olhos).
- Quer dizer que a gente não sabe para onde vai essa pena?
(Trouxe-a para mais perto).
- A gente não sabe... mas sabe, quando a gente chega na idade que chegou a Vovó aqui, podemos perceber os caminhos misteriosos que a pena toma no ar, até pousar, segura, no colo de Deus. Mas isso a gente só descobre depois de passar muito tempo tentando adivinhar: Qual a direção do vento? Qual a umidade relativa do ar? Qual o peso da pena? Como o Caos vai comandar a direção que a pena vai tomar?
(Coçou a cabeça, em seu gesto característico).
- Vó?
- Oi?
- O que acontece quando a gente pára de tentar adivinhar para onde vai essa pena?
- A gente se deixa levar pelo vento, minha querida.
- Quer dizer que você dá razão para a mãe e para o amigo do Forrest?
(Olhou com uma agradável sensação de surpresa).
- Isso mesmo! Como você é esperta! Eu dou, mesmo, razão para os dois. A gente joga da melhor forma que puder, com o máximo de empenho, mas também respeita as linhas do vento. Gostou?
- Gostei, gostei muito... sabe, Vó, é tão bom ter você... será que um dia esse vento vai te levar para longe de mim?
(Estremeceu ligeiramente).
- Não, meu bem... por mais longe que vão nossas penas, nosso coração vai estar sempre perto um do outro, tá bom?
- Tá bom.
(Ficaram num silêncio de fim de conversa).
- Eu vou brincar um pouco, tá?
- Isso, vai brincar de Forrest Gump.
- Vou correr até cansar.
- Isso. Vai mesmo.
(Mal conseguiu disfarçar a voz embargada de lágrimas).


Autor:
Marco Antonio Spinelli é médico psiquiatra e psico-terapeuta.
Coordenador Clínico da HORMÊ.
O endereço eletrônico da Hormê, para os interessados, é:
horme@uol.com.br

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Seja o Cisne


Talvez o maior desafio da vida moderna seja sermos nós mesmos em um mundo que insiste em modelar nosso jeito de ser. Querem que deixemos de ser como somos e passemos a ser o que os outros esperam que sejamos. Aliás, a própria palavra "pessoa" já é um convite para que você deixe de ser você. "Pessoa" vem de "Persona", que significa "máscara".

É isso mesmo:

coloque a máscara e vá para o trabalho. Ou vá para a vida com a sua máscara. Talvez o sentido do elogio: "Fulano é uma boa pessoa", signifique na verdade: "Ele sabe usar muito bem a sua máscara social". Mas qual o preço de ser bem adaptado?
O número de depressivos, alcoólatras e suicidas aumenta assustadoramente.
Doenças de fundo psicológico como síndrome do pânico e síndrome do lazer não param de surgir. Dizer-se estressado virou lugar-comum nas conversas entre amigos e familiares.

Esse é o preço.

Mas pior que isso é a terrível sensação de inadequação Que parece perseguir a maioria das pessoas. Aquele sentimento cristalino de que não estamos vivendo de acordo com a nossa vocação. E qual o grande modelo da sociedade moderna? Querer ser o que a maioria finge que é. Querer viver fazendo o que a maioria faz.
É essa a cruel angústia do nosso tempo: o medo de ser ultrapassado em uma corrida que define quem é melhor, baseada em parâmetros que, no final da pista, não levam as pessoas a serem felizes.

Quanta gente nós não conhecemos, que vive correndo atrás de metas sem conseguir olhar para dentro da sua alma e se perguntar onde exatamente deseja chegar ao final da corrida? A maior parte das terapias prega que as pessoas não olham para dentro de si com medo de encontrar a sua sombra. Porém, na verdade, elas não olham para dentro de si por medo de encontrar sua beleza e sua luz. O que assusta é o receio de se deparar com a sua alegria de viver, e ser forçado a deixar para trás um trabalho sem alegria.

Mas sejamos francos:

Para quê manter um trabalho sem alegria?
Só para atender às aspirações da sociedade?

Basta voltar os olhos para o passado para ver as represálias sofridas por quem ousou sair dos trilhos, e, mais que isso, despertou nas pessoas o desejo de serem elas mesmas.

Veja o que aconteceu a John Lennon, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Isaac Rabin?

É muito perigoso não ser adaptado!

Essa mesma sociedade que nos engessa com suas regras de conduta, luta intensamente para fazer da educação um processo de produção em massa. Porque as pessoas que vivem como máquinas não questionam a própria sociedade.
A maioria das nossas escolas trabalha para formar estudantes capazes de passar no vestibular.
São poucos os educadores que se perguntam se estão formando pessoas para assumirem a sua vocação e a sua forma de ser.

As escolas de música ensinam com os mesmos métodos as mesmas músicas. Quase todas querem formar covers de Mozart ou covers dos Beatles. É raro um professor com voz dissonante que diga para seus alunos: "Aqui você vai aprender idéias, para liberar o músico que existe dentro de você".
Os MBA's, tão na moda, na sua maioria, usam os mesmos livros, dão as mesmas aulas,
com o objetivo não explicitado de formar covers do Jack Welch ou do Bill Gates.
O que poucos sabem é que nenhum dos dois fez MBA.

Bill Gates, muito ao contrário disso, abandonou a idolatrada Harvard para criar uma empresa na garagem, que se transformou na poderosa Microsoft.
Os MBA's são importantes para que o aluno aprenda alguns instrumentos de administração.
Mas alguém tem de dizer ao estudante: "Utilize essas ferramentas para implementar
suas idéias, para ser intensamente você".

Quantos casos de genialidade que foram excluídos das escolas porque estavam além do que o sistema de educação poderia suportar.
Conta-se que um professor de Albert Einstein chamou seu pai para dizer que o filho nunca daria para nada, porque não conseguia se adaptar.
Os Beatles foram recusados pela gravadora Deca! O livro foi recusado por 13 editoras!

Caetano Veloso foi vaiado quando apareceu com a sua música "Alegria, Alegria!".

O projeto da Disney Word foi recusado por 67 bancos! Os gerentes diziam que a idéia de cobrar um único ingresso na entrada do parque não daria lucros.

O genial Steven Spielberg foi expulso de duasescolas de cinema antes de começar a fazer seus filmes, provavelmente porque não se encaixava nos padrões comportamentais e técnicos que a escola exigia que ele seguisse. Só há pouco tempo é que ele ganhou um título de "honoris causa" de uma faculdade de cinema. E recebeu o titulo pela mesma razão que foi expulso anteriormente: ter assumido o risco de ser diferente, por não ceder à padronização que faz com que as pessoas pareçam seres saídos de linhas de montagem.

A lista de pessoas que precisaram passar por cima da rejeição porque não se adaptavam ao esquema pré-existente é infinita.
A sociedade nos catequiza para que sejamos mais uma peça na engrenagem e quem não se moldar para ocupar o espaço que lhe cabe será impiedosamente criticado. Os próprios departamentos de treinamento da maioria das empresas fazem isso. Não percebem que treinamento é coisa para cachorros, macacos, elefantes. Seres humanos não deveriam ser treinados, e sim estimulados a dar o melhor de si em tudo o que fazem.

RESULTADO:

A maioria das pessoas se sente o patinho feio e imagina que todo o mundo se sente o cisne.

Triste ilusão: Quase todo mundo se sente um patinho feio também.

Ainda há tempo!!! Nunca é tarde para se descobrir único. Nunca é tarde para descobrir que não existe nem nunca existirá ninguém igual a você.
E ao invés de se tornar mais um patinho, escolha assumir sua condição inalienável de cisne!

TEXTO: Roberto Shinyashiki

domingo, 14 de fevereiro de 2010

ECOPEDAGOGIA - Cidadania Planetária


A CARTA DA TERRA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO
Primeiro Encontro Internacional - São Paulo, 23 a 26 de agosto de 1999.

Organização: Instituto Paulo Freire
Apoio: Conselho da Terra e UNESCO-Brasil

CARTA DA ECOPEDAGOGIA
Em defesa de uma Pedagogia da Terra

(Minuta de discussão do Movimento pela Ecopedagogia)

1. Nossa Mãe Terra é um organismo vivo e em evolução. O que for feito a ela repercutirá em todos os seus filhos. Ela requer de nós uma consciência e uma cidadania planetárias, isto é, o reconhecimento de que somos parte da Terra e de que podemos perecer com a sua destruição ou podemos viver com ela em harmonia, participando do seu devir.

2. A mudança do paradigma economicista é condição necessária para estabelecer um desenvolvimento com justiça e eqüidade. Para ser sustentável, o desenvolvimento precisa ser economicamente factível, ecologicamente apropriado, socialmente justo, includente, culturalmente eqüitativo, respeitoso e sem discriminação. O bem-estar não pode ser só social; deve ser também sócio-cósmico.

3. A sustentabilidade econômica e a preservação do meio ambiente dependem também de uma consciência ecológica e esta da educação. A sustentatibilidade deve ser um princípio interdisciplinar reorientador da educação, do planejamento escolar, dos sistemas de ensino e dos projetos político-pedagógicos da escola. Os objetivos e conteúdos curriculares devem ser significativos para o(a) educando(a) e também para a saúde do planeta.

4. A ecopedagogia, fundada na consciência de que pertencemos a uma única comunidade da vida, desenvolve a solidariedade e a cidadania planetárias. A cidadania planetária supõe o reconhecimento e a prática da planetaridade, isto é, tratar o planeta como um ser vivo e inteligente. A planetaridade deve levar-nos a sentir e viver nossa cotidianidade em conexão com o universo e em relação harmônica consigo, com os outros seres do planeta e com a natureza, considerando seus elementos e dinâmica. Trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente mais próximo e com os demais ambientes.

5. A partir da problemática ambiental vivida cotidianamente pelas pessoas nos grupos e espaços de convivência e na busca humana da felicidade, processa-se a consciência ecológica e opera-se a mudança de mentalidade. A vida cotidiana é o lugar do sentido da pedagogia pois a condição humana passa inexoravelmente por ela. A ecopedagogia implica numa mudança radical de mentalidade em relação à qualidade de vida e ao meio ambiente, que está diretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com nós mesmos, com os outros e com a natureza.

6. A ecopedagogia não se dirige apenas aos educadores, mas a todos os cidadãos do planeta. Ela está ligada ao projeto utópico de mudança nas relações humanas, sociais e ambientais, promovendo a educação sustentável (ecoeducação) e ambiental com base no pensamento crítico e inovador, em seus modos formal, não formal e informal, tendo como propósito a formação de cidadãos com consciência local e planetária que valorizem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.

7. As exigências da sociedade planetária devem ser trabalhadas pedagogicamente a partir da vida cotidiana, da subjetividade, isto é, a partir das necessidades e interesses das pessoas. Educar para a cidadania planetária supõe o desenvolvimento de novas capacidades, tais como: sentir, intuir, vibrar emocionalmente; imaginar, inventar, criar e recriar; relacionar e inter-conectar-se, auto-organizar-se; informar-se, comunicar-se, expressar-se; localizar, processar e utilizar a imensa informação da aldeia global; buscar causas e prever conseqüências; criticar, avaliar, sistematizar e tomar decisões. Essas capacidades devem levar as pessoas a pensar e agir processualmente, em totalidade e transdisciplinarmente.

8. A ecopedagogia tem por finalidade reeducar o olhar das pessoas, isto é, desenvolver a atitude de observar e evitar a presença de agressões ao meio ambiente e aos viventes e o desperdício, a poluição sonora, visual, a poluição da água e do ar etc. para intervir no mundo no sentido de reeducar o habitante do planeta e reverter a cultura do descartável. Experiências cotidianas aparentemente insignificantes, como uma corrente de ar, um sopro de respiração, a água da manhã na face, fundamentam as relações consigo mesmo e com o mundo. A tomada de consciência dessa realidade é profundamente formadora. O meio ambiente forma tanto quanto ele é formado ou deformado. Precisamos de uma ecoformação para recuperarmos a consciência dessas experiências cotidianas. Na ânsia de dominar o mundo, elas correm o risco de desaparecer do nosso campo de consciência, se a relação que nos liga a ele for apenas uma relação de uso.

9. Uma educação para a cidadania planetária tem por finalidade a construção de uma cultura da sustentabilidade, isto é, uma biocultura, uma cultura da vida, da convivência harmônica entre os seres humanos e entre estes e a natureza. A cultura da sustentabilidade deve nos levar a saber selecionar o que é realmente sustentável em nossas vidas, em contato com a vida dos outros. Só assim seremos cúmplices nos processos de promoção da vida e caminharemos com sentido. Caminhar com sentido significa dar sentido ao que fazemos, compartilhar sentidos, impregnar de sentido as práticas da vida cotidiana e compreender o sem sentido de muitas outras práticas que aberta ou solapadamente tratam de impor-se e sobrepor-se a nossas vidas cotidianamente.

10. A ecopedagogia propõe uma nova forma de governabilidade diante da ingovernabilidade do gigantismo dos sistemas de ensino, propondo a descentralização e uma racionalidade baseadas na ação comunicativa, na gestão democrática, na autonomia, na participação, na ética e na diversidade cultural. Entendida dessa forma, a ecopedagogia se apresenta como uma nova pedagogia dos direitos que associa direitos humanos – econômicos, culturais, políticos e ambientais - e direitos planetários, impulsionando o resgate da cultura e da sabedoria popular. Ela desenvolve a capacidade de deslumbramento e de reverência diante da complexidade do mundo e a vinculação amorosa com a Terra.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ninguém vai viver a sua vida por você...

Mantenha aceso o seu ideal de felicidade.

Porque viver intensamente o dia de hoje é o melhor que você pode fazer.

Dedique-se sim ao trabalho mas não esqueça de se divertir, de tirar muito prazer da sua vida!

Busque equilíbrio em tudo.

Seja mais centrado em você mesmo e se transforme numa pessoa mais doce, mais amável.

Solte as suas amarras e faça algo diferente em seu viver. Não fuja mais daquilo que sabe que depende de você.

E não espera mais nada de ninguém.

Porque ninguém vai viver a sua vida por você!

Ninguém tem as respostas para a sua vida. Só você mesmo.

Então, administre bem o seu viver.

E descubra todo o seu potencial e tudo aquilo que pode realizar.

Descubra o verdadeiro prazer de viver bem e melhor.

De que adianta a vida se você não puder aproveitá-la por inteira!

Chega de viver pela metade, tá?

O único jeito do amanhã ser diferente é mudando o hoje.

Procure ver a graça e o gosto gostoso de viver, de se divertir mais com as coisas, com o trabalho, com você mesmo.

Isso mesmo: divirta-se mais e seja mais criativo, amoroso, produtivo e feliz!

Pague pelas suas escolhas.

Texto: Luis Carlos Mazzini.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Chamado a Gaia - Metatron


Este é um chamado a Gaia.

Necessitamos de vosso apoio para amenizar os próximos movimentos energéticos.

Em primeiro lugar, sou Metatron.

Necessitamos que vocês visualizem icosaedros de luz (ver imagem), que se depositam no interior de cada um dos mares e oceanos. Como se observassem o planeta a partir de um Atlas, localizem os icosaedros no meio de um mapa e os submirjam. Estas figuras irão se desenvolvendo a partir de sua forma a uma esfera de luz que irradia no interior do mar.

Isto permitirá acalmar os efeitos das mudanças de intensidade do elemental da água e, assim, deixando para atrás as alterações geométricas que ainda residem nas memórias. É agora o tempo de estabilizar e cancelar isto pelo bem de todas as espécies. E para chegar a um equilíbrio.

Também poderão visualizar um icosaedro pequeno, que desce dentro de um raio de luz sobre vossas cabeças, entra pelo prana e se situa em seu chacra da garganta, o qual os ajudará a cancelar tudo aquilo que não têm verbalizado e tudo o que têm escutado e que já não os pertencem. Esta energia é muito pura e muito forte por suas características de cristalização, é muito provável que sintam alguma lágrima vertendo e também uma sensação de aperto no peito ou muito calor. Ambas são conseqüências da tomada de consciência do estado nervoso ou ansiedade diária do que ainda não estão conscientes.

Uma vez que se ajustem a esta fórmula, sentirão uma energia leve descendo pelo prana e subindo também, em forma de leveza ou formigamento, que empurra esta pressão para fora. É agora o momento da integração pessoal de cada um de vocês e de seus corpos.

O icosaedro permitirá a vocês uma comunicação constante entre eles e o seu Eu Superior ou Consciência do Ka e, ao mesmo tempo, drenar o que falta para a comunicação.

Estamos trabalhando o 5º. Raio para abrir sua consciência de abundância, entendendo como o fluxo constante de chegada a sua vida de tudo o que for necessário no momento preciso, mediante a comunicação entre o chacra do coração e a glândula pineal, distante de uma mente unicamente analítica. Estabelecendo os impulsos eletromagnéticos com a mente criativa.

Eu Sou Metatron, confio em vocês, estendam esta mensagem para ser recebida por mais pessoas.

Obrigado por sua ajuda.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

As Mensagens das Árvores - O que a natureza tem a nos dizer e a nos ensinar


“A mensagem das árvores é para que os seres humanos descubram a totalidade e o amor que estão dentro deles e ajam de acordo com isso.”

A frase é de Dorothy Maclean, que esteve no Brasil, em setembro, para lançar o livro O Chamado das Árvores (ed. Irdin). A história de Dorothy como parceira da natureza tem vários capítulos. Ela foi co-fundadora, em 1962, de Findhorn, uma ecovila (ou comunidade ecológica) pioneira, no norte da Escócia. Ali, lançou as bases de um trabalho, integrando humanidade e natureza, que alcançou o coração de pessoas do mundo inteiro interessadas em garantir o desenvolvimento sustentável.

O conteúdo do livro lançado aqui é a coroação desse trabalho e apresenta as árvores sobre uma perspectiva incomum. Dorothy é uma ambientalista e também é uma sensitiva. Há mais de 40 anos faz exercícios diários de meditação em busca de respostas para o propósito da vida. Nesse caminho, sua conexão com a natureza se tornou cada vez mais forte. Até um dia em que descobriu sua missão na Terra e atribuiu essa intuição ao contato com as árvores. Começou a ir para perto delas com seu caderno e anotar mensagens que recebia durante suas meditações. O livro é um compêndio desses delicados momentos e sugere como enfrentar o período desafiador em que vivemos.

“Nossas escolhas individuais afetam o planeta inteiro”, ensina Dorothy. “Como fazer com que elas se apóiem em uma visão cooperativa?” Como resposta, a autora ouviu uma mensagem, como se as árvores falassem: “Torne-se o que você na verdade é: um ser criativo e amoroso. Use esse critério em todos os atos, escolha amar o que você faz, amar o que você é, amar os seus semelhantes. Realmente tente fazê-lo, encare o que você não gosta em si mesmo e ame isso. É simples, mas não fácil. Entretanto, pode-se superar esse obstáculo com o ato de se encostar em uma árvore e sentir a paciência e a constância que ela é capaz de transmitir, restaurando essas qualidades em nós”.

“Não é suficiente reflorestar a Terra porque as árvores novas não são capazes de realizar a tarefa de transmutar as energias nocivas que circulam pelo mundo”, frisa Dorothy. Segundo ela, as árvores antigas clamam: “Vocês precisam de nós para o equilíbrio, a paz e a estabilidade. Se houver escassez de árvores grandes, a paz e a estabilidade da humanidade serão afetadas porque somos Um”.

Outra mensagem que recebeu em uma meditação na natureza foi que as árvores trazem a beleza do infinito ao planeta. Incorporam força, estabilidade e perenidade. Em seus relatos, a autora descreve a seguinte frase das árvores: “Se a humanidade quiser ter força física, o que é necessário para funcionar nessa Terra, é preciso que as árvores permaneçam em grande quantidade. Isso é fundamental não apenas para a respiração do planeta, mas para a saúde da humanidade, que poderá perder a si mesma, a menos que permaneçamos”.

“Quando as pessoas plantam, sua vida se enriquece além de qualquer expectativa porque comunidades inteiras de árvores irradiam gratidão e retribuem o amor que lhes é dedicado”, continua esta verdadeira adoradora da natureza.

Para saber mais:
• O Chamado das árvores
• www.ummilhaodearvores.org.br
• www.findhorn.org

Texto de Carlos Solano
Revista BONS FLUÍDOS - Outubro/2008.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo...


A mensagem de hoje é de agradecimento.
Gratidão nunca é demais...
- Sou grata aos meus pais, que me trouxeram à vida;

- Sou grata ao meu filho, pois diariamente me presenteia com a chance de me tornar uma pessoa melhor, mais compreensiva com os outros seres que me rodeiam e, principalmente, pela oportunidade de deixar uma semente de mim mesma;

- Sou grata pela minha profissão, pois me oferece a dignidade de poder exercer uma atividade e desenvolver meu potencial... e ainda sou remunerada por isso;

- Sou grata aos meus professores e mestres, pelos incansáveis ensinamentos;

- Sou grata ao meu esposo, amigo e companheiro, por sua eterna paciência, cumplicidade e amor incondicional;

- Sou grata Universo, pelos presentes máximos dele recebidos, como por exemplo, energia divina, saúde, força, esperança e amor... fundamentais para que eu possa continuar minha grande missão física, espiritual e social.

Os agradecimentos de hoje, segunda-feira chuvosa em Santos/SP, num calor de quase 30 graus, se voltam para todos os seres que contribuíram direta ou indiretamente para que eu me edificasse ao longo dessas três décadas de vida terrena e pudesse neste momento estar aqui e agora, agradecendo... MUITO OBRIGADA!!!

A seguir, um texto que gostaria de partilhar com todos, cuja mensagem principal fala da necessidade de estarmos realmente vivos para as situações, de estarmos voltados para o cumprimento de nossa Missão aqui em Gaia.

A bem da verdade, se recebemos um presente máximo - a nossa própria vida - será que estamos empenhados em fazer dela o melhor? Estamos cuidando de nós mesmos?

Estas são perguntas que só cabem a cada um de nós responder... para nós mesmos... do fundinho de nosso timo...

Um Abraço afetuoso à todos e Feliz 2010!!!
Valeria Palma.
AS LEIS DE NEWTON E O COMPORTAMENTO HUMANO - por Alessandro Marques
As leis da física também servem para nossas vidas!!! Mostram por que as pessoas de sucesso sempre possuem tempo. Têm tempo para o trabalho, para a família, para a comunidade. Nas empresas, sempre há aquele que sempre arranja tempo para um projeto novo, para fazer cursos, para ir à uma palestra, para estudar... e sempre há aquele que nunca tem tempo pra nada e, muito menos disposição. "Se você se mantém em movimento sempre estará em movimento, se estiver parado, ficará assim".
Em 1687, um cara pouco conhecido chamado Isaac Newton publicou um trabalho que revolucionou o mundo, hoje intitulado como AS LEIS DE NEWTON, e através dele, os cientistas puderam explicar vários comportamentos relativos ao movimento de objetos físicos. Mas o que Newton não sabia (isso é uma suposição), ele também explicou alguns comportamentos dos seres humanos...
- Primeira Lei de Newton ou Princípio da Inércia: "Um corpo que esteja em movimento ou em repouso, tende a manter seu estado inicial" - Nesta lei podemos explicar porque as pessoas de sucesso sempre encontram tempo para fazer tudo o que desejam e pessoas fracassadas sempre dizem que não possuem tempo suficiente. Newton explicou, todo corpo tende a manter seu estado inicial, ou seja, se você vive em movimento, atrás dos seus objetivos, esforçando-se para realizá-los, preocupa-se em escrever sua própria história, a tendência é que suas conquistas se tornem uma constante em sua vida. Mas, se ao contrário, prefere ficar parado, sem obter os resultados que almeja, colocando a culpa no realejo, no destino, no governo ou em outras pessoas, você se manterá no fracasso.
Todos nós temos um estado que se chama "zona de conforto", é onde nos sentimos completamente estáveis, por isso é difícil sair dela. Esta zona pode ter várias formas, pode ser um emprego em que está há anos, um relacionamento que não dá certo ou um comportamento indesejável. Todos eles nos deixam estagnados e acabam afetando outras áreas da vida. Uma pessoa que não está bem no trabalho acaba levando seus problemas para casa e vice-versa. Cumprimos vários papéis na vida, mas todos estão interligados... Pense nisso!!!
Aproveite a dica da Primeira Lei de Newton e inicie aqueles planos que estão parados. Procure conservar seu emprego, conquistando-o ou procure outro. Começe a estudar, faça aquele curso que sempre quis fazer, aquela viagem... chame aquela pessoa pra sair, diga à pessoa que ama que a ama de verdade. Mas isso tem de ser feito já. Porque se ao invés de iniciar hoje você deixar para amanhã, sempre ficará para amanhã. Inicie AGORA o seu sonho, seus objetivos. Lembre-se que se você não tem um objetivo, vai acabar participando do objetivo de alguém.
Mas, como sair dessa tal "Zona de Conforto" ? Aplicando a próxima Lei.
- Segunda Lei de Newton ou Princípio Fundamental da Dinâmica: "A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida". - Uma pessoa que já está em movimento não precisa de muito esforço para mudar seu rumo. Pessoas conquistadoras podem perder tudo, seja quantas vezes for, mas elas sempre encontrarão um jeito de recuperar tudo ou encontrar o sucesso em outro caminho. Sempre trabalham com possibilidades, são flexíveis para mudar sua rota ou fazer as mudanças necessárias quando as coisas não estão dando certo. Se você está parado, vai permanecer parado, se está em movimento, vai permanecer em movimento. É mais fácil você empurrar um carro que está totalmente parado ou um que está em movimento?
Se você está inerte, não ache que vai ser fácil entrar em movimento, pois seu cérebro está acostumado a inércia. Assim como seu corpo está em determinada posição e você pode mudá-la, se sua vida não está como você quer, você também pode mudá-la. Saiba que o resultado da mudança será proporcional à força que colocar nela. Eu digo: "mude com o corpo e mente"... isso mesmo!!! Tanto sua fisiologia quanto seus pensamentos devem estar focados nesta mudança e devem agir como tal. Responda: "O que você faria se soubesse que não pode falhar"? É isso mesmo. Se soubesse que se agir de determinada forma, movimentando-se, irá conquistar o que deseja? "As dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar" - palavras de Sheakspeare.
Não deixe que a dúvida ou o medo o paralize. Lembre-se que movimento gera movimento. Quando se sentir paralisado na sua zona de conforto, cheio de dúvidas e medos, diga para si mesmo: o que eu faria se soubesse que não poderia fracassar? Mentalize a resposta e haja imediatamente. A força para que seu corpo e sua mente entrem em movimento é você quem imprime.
- Terceira Lei de Newton ou Princípio da Ação e Reação: "A toda ação há sempre oposta uma reação igual". - Esta lei completa as duas outras e diz que se você age com o corpo e mente em direção aos seus objetivos, seus objetivos também agirão em direção a você. Quem nunca leu aquele pensamento que diz: "Quando você quer realmente alguma coisa e acredita do fundo de seu coração, o universo conspira para que você a obtenha". É a Lei da Atração. Eu só acrescentaria a palavra "aje", ou seja, acredita e aja. Acreditar é sonhar, criar os objetivos, planejar, só que estas etapas se não forem seguidas da ação, não significam nada.
Para que a vida dê à você o que você deseja, primeiro você dever agir e dar à ela. É uma troca. Para toda ação há uma reação. Movimente-se!!! Siga seus objetivos, faça o que sempre teve vontade de fazer, siga seu coração. Não procure a felicidade, gere felicidade.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Mais um Natal...

O ano de 2009, definitivamente não foi como o desejei, mas foi como o Universo o reservou para mim. Mesmo deixando cicatrizes profundas... estou grata.

Sei que uma Força Divina está no controle de todas as coisas e é por este motivo que - mesmo que eu não saiba como - muitas bênçãos me foram oportunizadas!!! Confesso que muitas vezes minha teimosia não permitiu que eu me tornasse uma pessoa melhor, mas com certeza foi a pedra fundamental p/ que eu possa dizer com a máxima certeza neste momento: Sou uma pessoa muito menos pior do que eu era neste mesmo 16 de dezembro de outros anos...

Agora, novamente, nos aproximamos de mais um Natal...

Há controvérsias quanto a data, mas 25 de dezembro, foi estabelecido universalmente como o aniversário do Filho de Deus, para os que crêem, ou o aniversário de Jesus Cristo, para os não Cristãos. Podemos assim dizer, que nesta data todos se rendem ao Personagem mais importante de toda a história da humanidade!

É tempo de Natal !!!!!
Tempo de um Novo Ano que se inicia !!!!!
Tempo de nascer (ou renascer) no AMOR INCONDICIONAL representado especialmente nesta data pelo Menino Jesus !!!!!

Ao mesmo tempo em que agradeço todo o bem que recebi ao longo deste ano de 2009, desejo ao Universo muita Paz, muito Amor, muita Esperança, muita Saúde, muita Sabedoria, muita Prosperidade e muita Compreensão pelo que está por vir daqui por diante.

Que as realizações de todos sejam pontuadas por bons e transparentes propósitos, que o bem coletivo se sobreponha ao individualismo que sempre teima em prevalecer, que continuemos a semear o futuro, com a sustentabilidade cada vez mais fortalecida.

Que o espírito sublime da noite de Natal permaneça em Gaia ao longo deste ano que se inicia, nos renovando e nos fortalecendo, pois é desta forma - e somente desta forma - que cumpriremos nossa tão amada missão.
Sejamos todos bem vindos à 2010 !!!!!

NAMASTÊ.
Valeria Palma.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PODE SER - por Albert Einstein




Pode ser que um dia deixemos de nos falar... mas, enquanto houver amizade, faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe... mas, se a amizade permanecer, um de outro se há de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos... mas, se formos amigos de verdade, a amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos... mas, se ainda sobrar amizade, nasceremos de novo, uma para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe... mas, com a amizade construiremos tudo novamente, cada vez de forma diferente. Sendo único e inesquecível cada momento que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Rio e o Oceano - OSHO


"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada,os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.
Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano,
mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem!!! Avance firme e torne-se Oceano!!!"

domingo, 25 de outubro de 2009

GAIA Interagindo - por Valeria Palma


“Soluções do passado, em contextos diferentes, podem se transformar em problemas. Quantas vezes, baseados em experiências anteriores, deixamos de observar as mudanças ao nosso redor e ficamos lutando inutilmente até afundar em nossa própria falta de visão? Criamos uma confiança equivocada e perdemos a oportunidade de repensar nossas experiências. Ficamos presos a velhos hábitos que nos levaram ao sucesso e perdemos a oportunidade de evoluir... Os donos do futuro sabem reconhecer estas transformações e fazer as mudanças necessárias para acompanhar a nova situação”. – Roberto Shinyashiki, no livro “Os donos do Futuro”.

Já faz algum tempo que venho “ruminando” a respeito da “evolução” ou “involução” do nosso grupo, o GAIA (Grupo de Amigas Interagindo com o Amor). Nos tempos em que eu era acadêmica, havia um professor que sempre me dizia: “O segredo do sucesso está em não agradar a todos”.

Em maio/2008, quando tudo começou, qual era a nossa proposta inicial? Em que se tornou o GAIA hoje, após dezoito meses de seu nascimento? Nossos objetivos e expectativas foram atingidos, conforme estabelecido em nossa base piramidal?

- Perdão;
- Gratidão;
- Não-Julgamento;
- Controle do Ego.

E foi reflexionando muito, graças às inúmeras divergências de opiniões (graças à Deus que estas divergências existem), que cheguei à seguinte conclusão:
Vamos retomar tudo, como era no princípio... mas de uma forma diferente.

Muitas pessoas já passaram por nosso GAIA. Em nosso cadastro temos quase 90 nomes. Isso é muito ou pouco? Depende do ponto de vista. Ultimamente me sentia muito contrariada por achar que 90 pessoas era muito pouco... mas quando resolvi enxergar cada uma dessas 90 pessoas... uma a uma... pude observar que houveram muitos progressos... progressos individuais, progressos coletivos... fizemos SIM a diferença!!!

Então atingimos nosso objetivo!!!

Conseguimos interagir com amor junto à estas pessoas.

Hoje temos a honra e o privilégio de desfrutar da companhia de pessoas extremamente iluminadas, que nos agregam muito amor e sabedoria a cada dia. São mulheres maduras que interagem conosco semanalmente e juntas conseguimos fortalecer mais a nossa egrégora, vivendo o aqui e o agora como se fosse o nosso último momento... um dia de cada vez... SÓ POR HOJE!!! Mas ainda é pouco...

Nosso objetivo maior é transmutar a realidade atual de Gaia, nosso planeta. Temos uma longa, árdua e deliciosa caminhada pela frente. E como nossa meta é agregar o maior número de pessoas possível em favor a nossa causa, vamos estreitar laços com outras entidades já existentes, sempre interagindo, agregando, multiplicando, transformando... vale tudo, desde projetos filantrópicos, inclusão social, diversidade, ecologia, cultura, educação, etc... etc... etc...

Por este motivo, ampliamos a agenda de encontros do nosso GAIA, onde a cada semana nos utilizamos de uma metodologia diferenciada, colocando em pauta o nosso cotidiano, com o objetivo de garimpar novas almas, fortalecendo assim nossa egrégora mais e mais... dia a dia. Está dando certo!!!

Curiosamente, temos vários GAIA´s dentro de um mesmo GAIA, quer ver?

- Grupo de Estudos Psico-filosóficos (para quem deseja dissecar o SER);
- Encontros Oficiais de GAIA (descontração e interatividade c/ diversidade);
- Chá da Tarde (momento laser... “Clube da Luluzinha”);
- Tem gente que participa de tudo;
- Tem gente que às vezes participa;
- Tem gente que participa com filantropia, mas nunca foi a um encontro;
- Tem gente que simplesmente ajuda a divulgar nosso trabalho, apenas encaminhando uma mensagem que achou interessante p/ sua lista de contatos;
- Tem gente que nunca esteve presente em evento algum, mas interage e nos acompanha de verdade através desta maravilhosa ferramenta chamada Internet;
- Existem “visinhos virtuais” que servem como fonte de inspiração p/ nossos trabalhos;
- Enfim... sempre tem alguém interagindo conosco de algum modo.

Eu sou Valeria Kenchicoski da Silva Palma, idealizadora do GAIA.
Sou mãe, filha, irmã, tia, esposa, amiga, guerreira, taurina... Teimosa, não!!! Afinal, "teimoso é quem teima comigo"... rs. Sou administradora de empresas (por profissão) e buscadora (por intuição). Rebelde como o estouro de uma boiada e "porta-bandeira" de mim mesma, sigo meu caminho sempre em frente carregando no peito três certezas:


1) Só o Amor Constrói;
2) Querer é Poder;
3) Tudo é bom.


Enfim... sou simplesmente MULHER!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Dá um Tempo!!!


Se você também não aguenta mais o ritmo frenético do mundo e sente que não tem tempo para nada, saiba que não é a única. Entenda o que está havendo conosco e comece a mudar agora mesmo.

Direção de arte • Camilla Sola

Texto • Thays Sant’Ana

Texto boxe • Raphaela de Campos Mello

Revista BONS FLUÍDOS



Calma... Não vai dar mesmo para cumprir hoje a enorme e velha lista de pendências. E, ainda que o tempo parasse até você colocar tudo em ordem, acredite, isso lhe traria pouco alívio. No dia seguinte, sempre haverá uma lista ainda maior. De e-mails por responder. De ordens do chefe para ontem! De tecnologias que você já deveria ter dominado. De livros e filmes cujo lançamento perdeu. De lugares que ainda não visitou. De programas com as crianças, que estão crescendo rápido demais. De momentos com seu amor, que anda meio esquecido. De amigos que reclamam que você nunca liga. De coisas para organizar em casa. E, ainda por cima, de um tempo reservado só para você. A reclamação de que estamos sendo atropeladas pelo excesso de compromissos é geral, e a sensação de estarmos sempre em falta com alguém ou alguma coisa já virou rotina. Mas, afinal, o que está havendo com o tempo, que parece estar sempre apressado como o coelho branco da fábula Alice no País das Maravilhas?


Conversamos com físicos, astrônomos e astrofísicos das mais renomadas universidades do país e eles foram unânimes em dizer que, ao contrário do que muita gente acredita, os ponteiros do relógio continuam se movendo no mesmo ritmo de sempre. Para eles, o grande culpado da história é o alucinado ritmo da vida moderna, que causa essa sensação. A psicóloga paulista Beth Furtado, especializada em administração de empresas e autora do livro Desejos Contemporâneos (Gouvêa de Souza), acrescenta: “Pode não haver, de fato, algo concreto, mas a sensação de que ele está voando não é ilusória. A realidade é feita a partir da vivência das pessoas e é isso o que conta”.


TEMPOS MODERNOS - O que está acontecendo afinal? As respostas são várias e apontam para as novas demandas da sociedade contemporânea. Uma delas diz respeito à política de redução de custos das empresas em todo o planeta e os constantes cortes no quadro de funcionários. Equipes reduzidas implicam uma quantidade cada vez maior de exigências. “Quanto mais coisas temos para fazer, menos vemos o tempo passar”, diz a psicóloga. Some-se a isso um cenário de crise econômica associado à competição acirrada, fator que induz as pessoas a se submeterem a regras abusivas. “Vivemos em uma sociedade que nos trata com dureza e considera normal trabalharmos 15 horas por dia”, comenta. Beth Furtado ainda lembra que a entrada do sexo feminino no mercado de trabalho contribuiu para o aumento dessa sensação. “As mulheres são multitarefas. Para nós é natural fazer várias coisas ao mesmo tempo. Mas estamos sobrecarregadas, e, ainda que alguns homens dividam parte do trabalho conosco, existem responsabilidades que não delegamos a ninguém.”


MUNDO HIGH TECH - Outro grande responsável por esse fenômeno é o alucinado avanço da tecnologia. “Por causa disso, na última década o número de ações aumentou consideravelmente e o ritmo das tarefas se acelerou muito”, explica Beth Furtado. Trocando em miúdos, se antes levávamos praticamente uma semana, ou mais, entre elaborar um trabalho, enviá- lo por fax e obter uma resposta, hoje, o retorno, via e-mail, é quase instantâneo. Para piorar, em questão de minutos, uma nova demanda já ocupa nossa agenda. Isso sem falar que os celulares com acesso à internet não nos permitem mais desconectar, literalmente. O físico Aba Cohen, da Universidade Federal de Minas Gerais, ainda observa que, com a evolução tecnológica, passamos a cometer a loucura de comparar a nossa velocidade como seres humanos com a velocidade das máquinas, o que gera a falsa sensação de que estamos lentos demais. Além disso, a obsessão pela pressa cria uma cobrança irreal até em relação ao desempenho das próprias máquinas. “Equipamentos de processamento de dados e de comunicação resolvem tudo ‘à velocidade da luz’ e, se ficam um pouquinho mais lentos, já temos vontade de quebrá-los! Isso traz um contraste muito grande e gera angústia”, comenta o professor.


UM MUNDO DE NOVIDADES - Basta chegar a uma grande livraria para que a ansiedade tome conta de nós. O volume de lançamentos de livros, revistas, CDs e DVDs é cada vez maior. O mesmo fenômeno acontece no mundo virtual, que rompe fronteiras graças às enormes facilidades proporcionadas por novos veículos de comunicação para a produção e a rápida disseminação de uma avalanche de conteúdo mundo afora. “A sociedade segmentada cria essa profusão de alternativas, mas ninguém é capaz de consumir tudo, e a sensação é de que nunca chegaremos lá”, explica Beth. As vitrines também são responsáveis por esse incômodo sentimento. As roupas de inverno começam a ser vendidas em fevereiro e, em meados de julho, a coleção de verão já está nas araras. “Isso não acontece apenas com a moda, estamos presenciando uma diminuição dos ciclos de oferta dos produtos”, diz Beth. De acordo com a psicóloga, essa é uma das razões do nosso senso cada vez maior de urgência. Para piorar, ele vem acompanhado da sensação de que tudo é muito efêmero e de que estamos perdendo pé para as novidades. Para a psicoterapeuta Monika von Koss, que atua em seu Espaço Caldeirão, em São Paulo, quanto mais investimos em coisas que não alimentam nossa alma, mais teremos a impressão de que os dias passam com a mesma rapidez com que esses objetos de consumo saem de moda. “Se não investirmos em algo mais consistente e usarmos toda a energia com o que precisa ser renovado a cada momento, quando não tivermos algo novo, iremos nos deparar com sentimentos de isolamento, abandono e insignificância”, diz a especialista. “É como se todo mundo estivesse fazendo ou consumindo alguma coisa maravilhosa e nós ficássemos excluídas.”


UM BASTA - Ainda que boa parte das pessoas concorde que ninguém aguenta mais um ritmo tão frenético, não será nada fácil frear essa máquina que move o mundo. “Estamos viciados em adrenalina”, avalia Beth. “Ninguém mais tira férias de 30 dias, ficamos organicamente condicionados a trabalhar feito loucos e a ter que fazer alguma coisa o tempo todo.” Para piorar, muitas de nós acreditam que podem dar conta de tudo. “Por trás dessa postura, muitas vezes estão pessoas que se sentem diminuídas e têm medo de dizer que não dão conta”, explica a psicanalista Ana Maria Lino Rocha, integrante da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.


PODE SER AINDA QUE ESSE JEITO DE VIVER - a 200 por hora represente, na realidade, uma fuga. Você já pensou nisso? “Se me encho de coisas para fazer e adquirir, não penso, não questiono meu casamento, minhas relações, minha carreira e a vida que não tive. E vou ‘empurrando com a barriga’ as decisões que não quero tomar”, diz Beth.


O PRIMEIRO PASSO - Seja qual foi razão para nos jogarmos na roda-viva, uma coisa é certa: o caminho da transformação passa obrigatoriamente pela tomada de consciência do que está acontecendo e do que precisa ser modificado. “Ela é o ponto de partida de qualquer processo verdadeiro de mudança”, garante Beth. Segundo a especialista, precisamos encontrar uma ilha de serenidade na correria diária para fazer uma reflexão profunda sobre o que está havendo dentro de nós e traçar uma estratégia eficiente para sair do redemoinho. O monge zen-budista Ryozan, da Comunidade Zen do Brasil, em São Paulo, achou a saída na meditação. “A prática traz consciência sobre o que realmente importa na vida”, conta. “Em vez de ficar ansioso porque acredito que não vou conseguir ler um livro de 5 mil páginas, e nunca partir para a ação de fato, eu começo lendo a primeira página.” Ele diz que, com essa nova postura, cessam nossos comentários internos – de que não vai dar tempo ou não vamos conseguir – e ficamos mais inteiros na tarefa que estamos realizando naquele momento. Mas nem tudo foi um mar de águas mansas na vida de Ryozan. Além de monge, ele é presidente de uma empresa prestadora de serviços de mecânica pesada. Em 1998, chegou a ficar afastado do trabalho durante um mês por causa de um diagnóstico de estresse. Desde então, percebeu que seu padrão estava completamente errado e começou a procurar soluções no cristianismo e, em seguida, no budismo. Hoje, ele diz que não se sente mais atropelado pelo tempo, sabe estabelecer prioridades e discernir entre uma atividade necessária e outra escravizante. A dica de Monika von Koss é que “em vez de nos preocuparmos com o tempo perdido, melhor é aproveitar cada momento da vida, enquanto ela durar”. AGOSTO 2009.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Idade e a Mudança - por Lya Luft


Em março participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades.

E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi. Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.

Aí fiquei pensando: "pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?"

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se "MUDANÇA".

De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.

A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal coisa???

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada... Rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos... Rejuvenesceu.

Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol... Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.

Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.

Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho...

Lya Luft.